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(Re)uso de água: possibilidade ou necessidade?

Você sabia que o uso da água não potável em casa é cada vez mais frequente?

Que a água é importante, já sabemos desde “1900 e bolinha”, ou praticamente desde que nós nascemos. Mas, que a água não-potável, aquela que já foi usada pelo menos uma vez, pode ser reaproveitada para muitos fins, isso sim, é novidade!

Para começo de conversa, água potável, segundo o Ministério da Saúde (Portaria nº 1469/2000), é toda a água que está em conformidade com os padrões de qualidade para consumo humano sem risco à saúde. Portanto, a água não-potável, que teve seu reúso regulamentado pelo governo do estado de Minas Gerais, não é própria para o consumo humano ou matar a sede de animais, como o próprio nome já indica.

Então, como, quando e para quê se (re)usa água não-potável no dia-a-dia?

Embora já existam algumas técnicas de reúso de água bastante difundidas para a indústria como forma de economia financeira e do próprio recurso natural, o seu uso doméstico ainda está engatinhando e pouquíssimas pessoas sabem como fazer o reúso da água. Então, se você não quer ser aquela pessoa que desconhece de coisas importantes, segue o fio.

  1. Por que (re)usar água não-potável?

Porque a água é um recurso natural finito, limitado (ou seja, tem fim!) e que não está suportando o aumento da sua demanda, uma vez que, quanto mais pessoas (e animais domésticos) existirem no mundo, mais água potável será necessária para satisfazê-las. Dessa forma, é necessário conter o uso de água potável para fins indignos (como lavar calçadas com mangueira) e promover o reúso da água que já foi usada para alguma atividade em casa, por exemplo, lavar roupas.

O reúso de água não-potável surgiu como uma ferramenta para tornar o uso racional de água cada vez mais sustentável. Nesse contexto, várias técnicas para reúso de água foram criadas, principalmente nos meios agroindustriais. Reutilizar a água não-potável é uma forma de economizar água potável, diminuir a ineficiência (ou aumentar a eficácia) das estações de tratamento de água e esgoto, garantir o abastecimento humano, o desenvolvimento econômico e evitar eventos catastróficos, como enchentes e escassez de água.

O uso racional de água tem sido debatido há muitos anos. A escassez e outros problemas relacionados à água tem surgido no mundo inteiro ao longo dos anos e com perspectiva de piora (!), caso os governantes não levem esse assunto a sério. Nesse sentido, o estado de Minas Gerais deu um passo importante e imprescindível para o desenvolvimento sustentável. No último mês de junho, o governo de Minas Gerais, regulamentou, por meio da Deliberação Normativa nº65, o reúso direto de água não-potável proveniente de Estações de Tratamento de Esgoto (ETE) de sistemas públicos e privados, ficando em pé de igualdade apenas com outros dois estados brasileiros, São Paulo e Ceará, que já haviam aplicado esse instrumento público para minimização do consumo de água potável (leia aqui). Com isso, a água de reúso poderá ser aplicada em zona urbana, como na lavagem de carros, calçadas, praças, ruas, irrigação de canteiros, jardins, entre outras atividades em que não se cabe mais o uso de água potável proveniente das mangueiras e torneiras domésticas. Além disso, a água de reúso também poderá ser usada em projetos de recuperação florística ou de áreas degradadas, desde que o acesso a essas áreas seja controlado e monitorado.

  1. Quando e como fazer o reúso correto da água?

A adoção de medidas que reduzem o consumo de água potável tem o objetivo de trazer benefícios para o nosso planeta, mas é de grande importância que nós tenhamos cuidado com esse uso, caso contrário, teremos graves problemas sanitários. Mas, calma, também não é “o bicho de sete cabeças”, são apenas algumas exigências e critérios que foram estabelecidos para a segurança de todos.

Segundo o manual: Conservação e Reúso da água em Edificações, a água para irrigação, rega de jardins e lavagem de pisos e carros. Ela não deve apresentar mau-cheiro, conter componentes que prejudiquem as plantas ou que estimulem o crescimento de pragas. Essa água de reúso também não deve manchar superfícies, propiciar infecções ou a contaminação por vírus ou bactérias prejudiciais à saúde humana, nem deve conter sais ou substâncias que fiquem nas superfícies após secar. É importante saber disso, porque são precauções que devem ser observadas antes do uso da água não-potável.

As Estações de Tratamento de Esgoto (ETE) são responsáveis pela limpeza, ou tratamento, da água proveniente dos vários usos humanos (após escorrer para o ralo) e podem, depois, distribuir a água tratada para fins de reúso (com a devida identificação, conforme a Resolução nº 54/2005 do Conselho Nacional de Recursos Hídricos. Entretanto, existem algumas ações feitas pelos cidadãos que tornam esse processo mais fácil e rápido, ou então, difícil e lento. Descartes indevidos no vaso sanitário prejudicam o trabalho das ETEs, assim como, o despejo de óleos e gorduras na rede de esgoto e descarte de lixos nas ruas (que acabam parando do esgoto). Essas coisas exigem mais processos de limpeza nas ETE’s e podem, inclusive, impedir o reúso da água. Sendo assim, se os cidadãos puderem evitar essas (e outras) atitudes, o desempenho das ETEs seria muito melhor e, por consequência, o abastecimento de água na cidade também.

No Brasil, a demanda por uso de água é cada vez maior. O aumento foi estimado em 80% no total de água retirada nas últimas duas décadas. Segundo dados coletados por várias estações meteorológicas espalhadas pelo país, a previsão é de que a retirada de água aumente 26% até 2030. É possível observar que a evolução das finalidades do uso de água está diretamente relacionado ao desenvolvimento econômico e ao processo de urbanização do país. Mais dados! O Relatório Anual da Agência Nacional das Águas (ANA, 2019), informa que foram retirados 171 m³/s de água destinados ao abastecimento animal e 1.020 m³/s de água para a irrigação. A taxa de retorno dessas atividades, ou seja, a água usada que retorna à natureza, é menor que 30% e grande parte é desperdiçada durante o uso (nem favorece a produção, nem retorna à natureza, acumula-se em poças, lamaceiros ou evapora para o ar). Além disso, as duas atividades citadas, irrigação e consumo animal, correspondem, em média, a 58% do total de água retirada no Brasil anualmente. Isso tudo contribui para o aumento do estresse hídrico (a proporção entre a retirada de água doce e o total dos recursos de água doce disponíveis do país) ao longo dos anos.

            Levando-se em conta o que foi informado e segundo o conjunto de leis e deliberações nacionais e estaduais, técnicas de reúso da água são relativamente recentes. A cada ano, mais pesquisas são desenvolvidas e novos projetos e normas são criados. Porém, uma coisa é certa, o reúso não só é possível, ele é necessário! A água pode ser reutilizada em vários setores na sociedade, seja industrial, agrícola, na geração de energia, no lazer e nas atividades domésticas diárias.

Durante as próximas semanas, o reúso de água será abordado nesta coluna, inclusive, apresentaremos algumas técnicas que você pode adotar em sua casa! Fique atento(a)!

 

 

 

Texto escrito por Thomas Giozza e Samantha Winter com colaboração e revisão da Engª. Ingrid Pacheco. Esta é uma produção que constitui o projeto de extensão universitária Água se Cuida, realizado por estudantes do curso de Engenharia Ambiental e Sanitária da Universidade Federal de Uberlândia. Para mais informações, siga as redes sociais: @projetoaquatec e página do Facebook

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(Re)uso de água: possibilidade ou necessidade?

Que a água é importante, já sabemos desde “1900 e bolinha”, ou praticamente desde que nós nascemos. Mas, que a água não-potável, aquela que já foi usada pelo menos uma vez, pode ser reaproveitada para muitos fins, isso sim, é novidade!

Para começo de conversa, água potável, segundo o Ministério da Saúde (Portaria nº 1469/2000), é toda a água que está em conformidade com os padrões de qualidade para consumo humano sem risco à saúde. Portanto, a água não-potável, que teve seu reúso regulamentado pelo governo do estado de Minas Gerais, não é própria para o consumo humano ou matar a sede de animais, como o próprio nome já indica.

Então, como, quando e para quê se (re)usa água não-potável no dia-a-dia?

Embora já existam algumas técnicas de reúso de água bastante difundidas para a indústria como forma de economia financeira e do próprio recurso natural, o seu uso doméstico ainda está engatinhando e pouquíssimas pessoas sabem como fazer o reúso da água. Então, se você não quer ser aquela pessoa que desconhece de coisas importantes, segue o fio.

  1. Por que (re)usar água não-potável?

Porque a água é um recurso natural finito, limitado (ou seja, tem fim!) e que não está suportando o aumento da sua demanda, uma vez que, quanto mais pessoas (e animais domésticos) existirem no mundo, mais água potável será necessária para satisfazê-las. Dessa forma, é necessário conter o uso de água potável para fins indignos (como lavar calçadas com mangueira) e promover o reúso da água que já foi usada para alguma atividade em casa, por exemplo, lavar roupas.

O reúso de água não-potável surgiu como uma ferramenta para tornar o uso racional de água cada vez mais sustentável. Nesse contexto, várias técnicas para reúso de água foram criadas, principalmente nos meios agroindustriais. Reutilizar a água não-potável é uma forma de economizar água potável, diminuir a ineficiência (ou aumentar a eficácia) das estações de tratamento de água e esgoto, garantir o abastecimento humano, o desenvolvimento econômico e evitar eventos catastróficos, como enchentes e escassez de água.

O uso racional de água tem sido debatido há muitos anos. A escassez e outros problemas relacionados à água tem surgido no mundo inteiro ao longo dos anos e com perspectiva de piora (!), caso os governantes não levem esse assunto a sério. Nesse sentido, o estado de Minas Gerais deu um passo importante e imprescindível para o desenvolvimento sustentável. No último mês de junho, o governo de Minas Gerais, regulamentou, por meio da Deliberação Normativa nº65, o reúso direto de água não-potável proveniente de Estações de Tratamento de Esgoto (ETE) de sistemas públicos e privados, ficando em pé de igualdade apenas com outros dois estados brasileiros, São Paulo e Ceará, que já haviam aplicado esse instrumento público para minimização do consumo de água potável (leia aqui). Com isso, a água de reúso poderá ser aplicada em zona urbana, como na lavagem de carros, calçadas, praças, ruas, irrigação de canteiros, jardins, entre outras atividades em que não se cabe mais o uso de água potável proveniente das mangueiras e torneiras domésticas. Além disso, a água de reúso também poderá ser usada em projetos de recuperação florística ou de áreas degradadas, desde que o acesso a essas áreas seja controlado e monitorado.

  1. Quando e como fazer o reúso correto da água?

A adoção de medidas que reduzem o consumo de água potável tem o objetivo de trazer benefícios para o nosso planeta, mas é de grande importância que nós tenhamos cuidado com esse uso, caso contrário, teremos graves problemas sanitários. Mas, calma, também não é “o bicho de sete cabeças”, são apenas algumas exigências e critérios que foram estabelecidos para a segurança de todos.

Segundo o manual: Conservação e Reúso da água em Edificações, a água para irrigação, rega de jardins e lavagem de pisos e carros. Ela não deve apresentar mau-cheiro, conter componentes que prejudiquem as plantas ou que estimulem o crescimento de pragas. Essa água de reúso também não deve manchar superfícies, propiciar infecções ou a contaminação por vírus ou bactérias prejudiciais à saúde humana, nem deve conter sais ou substâncias que fiquem nas superfícies após secar. É importante saber disso, porque são precauções que devem ser observadas antes do uso da água não-potável.

As Estações de Tratamento de Esgoto (ETE) são responsáveis pela limpeza, ou tratamento, da água proveniente dos vários usos humanos (após escorrer para o ralo) e podem, depois, distribuir a água tratada para fins de reúso (com a devida identificação, conforme a Resolução nº 54/2005 do Conselho Nacional de Recursos Hídricos. Entretanto, existem algumas ações feitas pelos cidadãos que tornam esse processo mais fácil e rápido, ou então, difícil e lento. Descartes indevidos no vaso sanitário prejudicam o trabalho das ETEs, assim como, o despejo de óleos e gorduras na rede de esgoto e descarte de lixos nas ruas (que acabam parando do esgoto). Essas coisas exigem mais processos de limpeza nas ETE’s e podem, inclusive, impedir o reúso da água. Sendo assim, se os cidadãos puderem evitar essas (e outras) atitudes, o desempenho das ETEs seria muito melhor e, por consequência, o abastecimento de água na cidade também.

No Brasil, a demanda por uso de água é cada vez maior. O aumento foi estimado em 80% no total de água retirada nas últimas duas décadas. Segundo dados coletados por várias estações meteorológicas espalhadas pelo país, a previsão é de que a retirada de água aumente 26% até 2030. É possível observar que a evolução das finalidades do uso de água está diretamente relacionado ao desenvolvimento econômico e ao processo de urbanização do país. Mais dados! O Relatório Anual da Agência Nacional das Águas (ANA, 2019), informa que foram retirados 171 m³/s de água destinados ao abastecimento animal e 1.020 m³/s de água para a irrigação. A taxa de retorno dessas atividades, ou seja, a água usada que retorna à natureza, é menor que 30% e grande parte é desperdiçada durante o uso (nem favorece a produção, nem retorna à natureza, acumula-se em poças, lamaceiros ou evapora para o ar). Além disso, as duas atividades citadas, irrigação e consumo animal, correspondem, em média, a 58% do total de água retirada no Brasil anualmente. Isso tudo contribui para o aumento do estresse hídrico (a proporção entre a retirada de água doce e o total dos recursos de água doce disponíveis do país) ao longo dos anos.

            Levando-se em conta o que foi informado e segundo o conjunto de leis e deliberações nacionais e estaduais, técnicas de reúso da água são relativamente recentes. A cada ano, mais pesquisas são desenvolvidas e novos projetos e normas são criados. Porém, uma coisa é certa, o reúso não só é possível, ele é necessário! A água pode ser reutilizada em vários setores na sociedade, seja industrial, agrícola, na geração de energia, no lazer e nas atividades domésticas diárias.

Durante as próximas semanas, o reúso de água será abordado nesta coluna, inclusive, apresentaremos algumas técnicas que você pode adotar em sua casa! Fique atento(a)!

 

 

 

Texto escrito por Thomas Giozza e Samantha Winter com colaboração e revisão da Engª. Ingrid Pacheco. Esta é uma produção que constitui o projeto de extensão universitária Água se Cuida, realizado por estudantes do curso de Engenharia Ambiental e Sanitária da Universidade Federal de Uberlândia. Para mais informações, siga as redes sociais: @projetoaquatec e página do Facebook

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